Produção maior que a demanda deve impactar no preço da soja em 2014

As lavouras de soja em Mato Grosso estão em boas condições, mas as perspectivas para o mercado em 2014 não são tão otimistas. De acordo com a perspectiva apresentada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a demanda pelo produto não deve acompanhar a grande oferta do grão e isso deve fazer com que os preços, no cenário nacional é internacional, sejam menores no próximo ano.

Nesta safra, os produtores mato-grossenses já comercializaram 50% da produção com preços menores que o da safra passada. Esse cenário deve permanecer se for confirmada a produção de 88 milhões de toneladas de soja no país. Mato Grosso será responsável pela colheita de 25,7 milhões de toneladas do grão.

Infraestrutura – As principais alterações na logística mato-grossense para o escoamento da safra ficaram concentradas na inauguração do terminal ferroviário de Rondonópolis, sudeste do estado, e com o início das operações do terminal de cargas de Miritituba, no Pará. Conforme o Imea, os problemas nas estradas devem permanecer porque não foi realizada nenhum investimento no estado, com exceção da BR-163.

A falta de logística adequada continuará impactando na safra de Mato Grosso. A previsão para a temporada 2014/2015 é de recorde nos custos de produção da oleaginosa.

 

Agrodebate

Arroba de algodão pode chegar a R$ 70 no primeiro semestre do ano que vem

O preço do algodão no primeiro semestre do ano que vem deverá atingir os R$ 70 por arroba no mercado interno, segundo estimativa do Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária (Imea). A previsão considera a pressão do mercado no período da entressafra da cultura e também a oferta reduzida do produto por causa dos baixos estoques. Além dos preços, a área cultivada com algodão também deve apresentar recuperação nesta safra. Ao todo, serão 582 mil hectares destinados a cultura, sendo 28,7% a mais do que na temporada anterior.

Após o período de colheita, o cenário vai mudar e os preços da arroba devem cair devido a recuperação dos estoques. De acordo com a projeção do Imea, Mato Grosso deve colher 587 mil toneladas até dezembro de 2014, incremento de produção de 25% em nível nacional.

Preço – O valor médio da arroba no estado foi de R$ 65,64 na última quinta-feira (19).

 

Agrodebate

Mapa divulga lista de pragas quarentenárias

A lista de Pragas Quarentenárias é base fundamental para regulamentar o intercâmbio comercial, internacional e nacional de produtos e subprodutos vegetais de forma transparente, por isso o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) revisa periodicamente a relação. Por este motivo foi publicado no Diário Oficial da União dessa quinta-feira, (19.12) a Instrução Normativa (IN) nº 59, que atualiza essa relação.

As pragas quarentenárias presentes afetam o trânsito interestadual de vegetais e seus produtos, controlado pela certificação fitossanitária de origem e permissão de trânsito de vegetais. Com base na lista, o Departamento de Sanidade Vegetal (DSV) da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) poderá aplicar medidas fitossanitárias de prevenção, controle, erradicação e monitoramento de plantas e seus produtos.

A lista de pragas quarentenárias ausentes subsidia a política do Mapa para prevenção e erradicação de pragas e, portanto, deve ser revisada periodicamente. A IN nº 59 excluiu dessa relação algumas pragas, que foram identificadas no País. Dentre elas estão a lagarta Helicoverpa armigera, o ácaro Raoiella indica e a praga Maconellicoccus hirsutus, também conhecida como cochonilha rosada.

De acordo com a IN 52, de 20 de novembro de 2007, a detecção de praga quarentenária ausente ou outra praga exótica, deve ser notificada ao Mapa e às instâncias intermediárias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária, responsáveis pela vigilância fitossanitária na realização dos levantamentos para detecção, delimitação e monitoramento de pragas quarentenárias presentes como é o caso da lagarta Helicoverpa que tem atacado lavouras de vários estados brasileiros. A Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Piauí já tiveram emergência fitossanitária decretada pelo ministro da Agricultura, Antônio Andrade.

A relação das pragas quarentenárias ausentes ampara a vigilância agropecuária internacional na fiscalização das mercadorias que chegam ao Brasil pelos portos de fronteira, portos e aeroportos. Pelas normas de trânsito internacional, uma mercadoria infestada por praga quarentenária pode ser impedida de entrar no País e, dependendo do caso, o comércio daquele produto entre os países pode ser suspenso.

 

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Preços devem ser menores em 2014

Após um ano em que as cotações das commodities agrícolas viraram de tendência e recuaram, fatores de produção e de política monetária internacional devem manter a tendência geral de queda no próximo ano, com poucas exceções, segundo analistas consultados pelo DCI.

A elevação dos preços observada há dois anos incentivou o agronegócio a aumentar a produção, pressionando os preços para baixo neste ano. Com a nova política do Federal Reserve (Fed) de redução dos estímulos monetários e consequente elevação dos juros, o mercado de títulos norte-americanos deve se tornar mais atrativo para o capital especulativo que o de commodities agrícolas, o que pode acentuar o viés de baixa no setor.

O milho foi a commodity que mais sentiu o impacto do aumento de produção global em 2013. De janeiro a novembro, a queda das cotações na Bolsa de Chicago chegou a 40,8%, de US$ 715 o bushel para US$ 423. Em 2012, o cereal havia alcançado máximas históricas com a quebra de safra nos Estados Unidos, mas a retomada da produção norte-americana e o recorde de safra no Brasil inundaram o mercado do grão.

A diferença para 2014 é nova demanda da China, que assinalou no final deste ano que deve começar a comprar milho no mercado internacional. Outra demanda que pode evitar uma nova queda de 40% é por parte da indústria de etanol. Ainda assim, a promessa de nova supersafra e estoques altos devem manter a tendência de queda. “O milho pode cair mais, mas deve chegar a patamar que, se cair muito, desestimula o produtor norte-americano a plantar”, observa Steve Cacchia, analista da Cerealpar.

Para a soja, o cenário é mais incerto. Apesar da supersafra que a América do Sul promete tirar do campo no primeiro semestre, os estoques mundiais continuam baixos e os compradores podem querer adiantar as compras diante da incerteza da safra norte-americana. “Principalmente para o segundo semestre, a expectativa é que mercado vai ficar bem pressionado. Mas no primeiro semestre isso ainda não é confirmado”, afirmou Cacchia.

Os preços do trigo caíram 15,5% no mercado internacional, mas no mercado interno a valorização chegou a 34% em setembro desde o início do ano. “Foi ano de bom preço para o trigo, mas não podemos imaginar que vai ser assim ano que vem”, disse o analista. Os trituradores podem substituir o trigo pelo milho, já que este grão está mais barato e mais abundante no mercado, afirma. A redução da demanda deve se combinar com a recuperação da produção do cereal no Brasil, que sofreu neste ano com o frio.

O movimento de queda deve ocorrer também no mercado do café, que neste ano se desvalorizou 29,5% na Bolsa de Nova York, em decorrência da alta produção brasileira do grão. “A demanda sobe, mas os estoques ainda são muito altos”, explicou Fabio Silveira, da GO Associados. Em 2013, os estoques médios corresponderam a 92 dias de consumo, e a perspectiva da consultoria é de que no próximo ano os estoques subam para o equivalente a 95 dias de consumo. O reflexo deve ser uma redução de 5% a 10% no preço internacional, passando para US$ 1,20 por libra-peso, calcula a consultoria.

Já o cenário do mercado de algodão é mais favorável. Apesar da concorrência com as fibras sintéticas, os altos estoques do ano passado vêm reduzindo. Neste ano, devem fechar em volume equivalente a 312 dias de consumo, e no próximo ano, a 300 dias de consumo, segundo a GO Associados. Esse patamar só deve ficar menor em 2015, quando os preços terão espaço para subir. Neste ano, afirma Silveira, a tendência é de estabilidade.

Açúcar na contramão

Se a tendência geral das commodities é de ligeira baixa, o preço do açúcar e do etanol pode subir diante de um cenário de aumento da demanda, enxugando os altos estoques acumulados desde 2011. “Os preços do açúcar devem começar a melhorar a partir de maio e junho de 2014, e os preços do álcool já estão melhorando” por causa do reajuste do preço da gasolina, explicou Plínio Nastari, da Datagro.

A GO Associados calcula que o preço médio do açúcar no próximo ano suba 2% para US$ 17,90 a libra-peso, com recuo do estoque mundial de 94 para 90 dias de consumo.

 

DCI – Diário do Comércio & Indústria

Apesar da cobrança de pedágio, mudanças na BR-163 vão reduzir custos de produção

A associação que representa os produtores de soja de Mato Grosso do Sul, a Aprosoja/MS, defende que, apesar de a privatização da BR-163 elevar os custos com transporte para escoamento da produção, a medida será positiva para o setor se consideradas a conservação das estradas e melhoras no fluxo de veículos.

Para a entidade, a duplicação da pista dará ritmo à logística agrícola e pouco impactará na rentabilidade da produção. “Cerca de 70% da produção de grãos se concentra no Sul do Estado, sendo assim, os caminhões que transportarem a soja até o Porto de Paranaguá terão de arcar com pedágios em no máximo quatro pontos. Mas a queda no tempo de viagem será um dos pontos mais positivos na logística agropecuária”, afirma o presidente da Associação, Almir Dalpasquale.

“Por um lado temos a elevação nos custos com a logística para o setor produtivo, por outro se ganha uma série de benefícios incalculáveis, como a segurança que a qualidade das estradas oferecerá. A privatização poupará vidas, e vida não tem preço”, afirma o presidente da entidade, acrescenta.

Escoamento – A soja exportada por MS tem como principal canal de escoamento o Porto de Paranaguá, o que torna necessária a utilização da BR-163. No mês de novembro, de acordo com a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS), 100% da soja exportada pelo Estado foi encaminhada ao porto paranaense e a preferência por Paranaguá se repete desde o mês de agosto devido a menor distância e custos mais baratos atualmente.

Pedágios – Nove pontos de cobrança de pedágio serão instalados em Mato Grosso do Sul, um a cada 100 quilômetros da BR-163, com custo de R$ 4,38 por ponto. Um carro de passeio para atravessar o Estado arcará com o valor de R$ 39,42, enquanto que um caminhão bitrem de sete eixos, com capacidade para escoar 37 toneladas, terá custo de R$ 275,94 para percorrer o trecho de 847 quilômetros.

“Sobre o impacto para a logística dos grãos sul-mato-grossenses, deve-se levar em consideração que 70% da produção agrícola se concentra ao Sul do Estado, o que dispensa a passagem em pelo menos metade dos pontos de pedágios que serão instalados”, conclui Dalpasquale. 

 

Campo Grande News

Tempo nublado nas cinco regiões

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta para tempo parcialmente nublado com pancadas de chuva no Mato Grosso do Sul. Encoberto a nublado com pancadas de chuva no Mato Grosso. A previsão é válida para a próxima terça-feira, dia 24 de dezembro.

Na região Norte do Brasil, o tempo fica encoberto com possibilidade de chuva em Roraima, Acre e Tocantins. Nublado com pancadas de chuva e trovoadas no Amazonas.

No Maranhão, nublado a encoberto com pancadas de chuva. Parcialmente nublado com chuva isolada no Piauí, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Bahia. No Rio Grande do Norte, tempo nublado.

No Sul do país, tempo nublado com pancadas de chuva no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

Em Minas Gerais, nublado a encoberto com pancadas de chuva e trovoadas. Nublado com chuva esparsa no Rio de Janeiro e Espírito Santo. Parcialmente nublado com possibilidade de chuva em São Paulo.

 

Min. da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Exportações de algodão em MT devem diminuir 38% neste ano

As indústrias de Mato Grosso devem exportar 38% a menos de algodão neste ano em relação ao anterior. Os embarques devem cair de 554 mil toneladas registradas em 2012 para 345 mil toneladas de algodão esperados para 2013. A estimativa da Secretaria de Comércio Exterior e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foi divulgada nesta sexta-feira (20) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O boletim também aponta uma redução nas exportações para o próximo ano. A estimativa é que em 2014 sejam enviados 270 mil toneladas de algodão para outros países, arrecandando US$ 468 milhões com a venda do algodão. Conforme o Imea, esse cenário é resultado da diminuição na compra da fibra pela China, que se destaca como o maior importador do produto mato-grossense. No acumulado de janeiro a novembro o país asiático foi responsável pelo consumo de 48,6 mil toneladas do algodão mato-grossense. Além disso, houve retração na produção nacional do produto nesta temporada.

Com isso, o faturamento bruto estadual também será menor. Em 2013, a receita gerada pela exportação do produto ultrapassou US$ 1 bilhão. Até novembro deste ano, as negociações renderam US$ 615,1 milhões, o que representa uma queda de 43,5% na quantia acumulada.

 

Agrodebate

Helicoverpa provoca uso exagerado de agrotóxico no PR

O temor de ataques severos da lagarta Helicoverpa armigera — nova praga da soja, que dizimou lavouras na Bahia um ano atrás — levou ao uso desnecessário de inseticidas na agricultura, alertam os técnicos da Emater do Paraná. Eles monitoram 200 áreas (algumas com 85 dias) e dizem que, até o momento, o manejo mais adequado, nos lotes afetados, foi de apenas uma aplicação.

Na vizinhança dessas áreas, no entanto, há produtores que já fizeram até cinco aplicações, relata o agrônomo Celso Seratto, coordenador de programas de manejo da Emater na região de Maringá. Ele considera evidente também que o uso de produtos mais fortes está sendo feito desnecessariamente.

“A gente faz um trabalho de monitoramento e só recomenda o uso de defensivo quando a população de lagartas aumenta [veja o gatilho abaixo]. Em muitos casos, os próprios inimigos naturais estão controlando as pragas ante desse limite”, aponta. A escolha do agrotóxico também exige cautela. “Quando a lagarta avança, os produtos seletivos [com ação específica] têm sido suficientes, com uma ou duas aplicações. Quem usa produtos mais fortes acaba matando também os inimigos naturais das lagartas e agravando o desequilíbrio ambiental”, alerta.

Seratto não compara, no entanto, a pressão da lagarta registrada nas áreas em monitoramento com a força do inseto em regiões de infestação maior. Agricultores da Bahia e do Piauí compraram inseticidas para fazer até nove aplicações na soja. O agrônomo considera que ainda não há base científica para se afirmar que o manejo adotado no Paraná funcionaria nessas regiões.

Das 200 áreas monitoradas, em 130 o foco é o controle de pragas e em 68, as doenças, detalha o coordenador estadual desses programas, o agrônomo Nelson Harger. Ele prevê que o número de pulverizações nessas propriedades será bem menor do que a média. “Com uma ou duas aplicações, deveremos controlar a Helicoverpa armigera. E a previsão é que o Paraná faça 5,5 aplicações”, compara.

Ferrugem

Nas 68 áreas monitoradas para o controle de doenças como a ferrugem asiática, também está ocorrendo menos aplicações do que na média do estado, conforme Harger. Ele acredita que até o final da safra será necessária apenas uma aplicação, enquanto os produtores em geral devem fazer entre duas e três.

Harger defende uma revisão na postura que os produtores chamam de “preventiva”. Em sua avaliação essa prevenção, em boa parte dos casos, representa uso irracional de defensivos, sem que haja um diagnóstico da real necessidade dos mesmos. “Deveria ser como tomar remédio. É preciso saber a hora e a dose certa.”

Campanha

O governo do Paraná e entidades que representam os produtores lançaram nesta safra uma campanha que envolve o uso racional de defensivos e busca sustentabilidade ambiental e econômica para o setor no médio e longo prazo. O projeto Plante Seu Futuro teve lançamentos regionais no início de novembro e soma 40 eventos.

A Helicoverpa armigera se tornou tema central da campanha, que nasce para debater temas centrais e apoiar projetos oficiais e da iniciativa privada que estimulem boas práticas na agropecuária. Os eventos que serão realizados a partir de janeiro devem focar o milho safrinha. Segundo Harger, a expectativa é que o Plante Seu Futuro ajude a alertar os produtores para o uso racional de agrotóxicos.

Boletins

Os produtores podem acompanhar boletins sobre as 68 áreas de soja monitoradas no site www.emater.pr.gov.br. O último boletim foi emitido dia 19 e detalha como está sendo o ataque não só da Helicoverpa armigera, mas também das outras lagartas comuns nas plantações da safra de verão.

GATILHO

4 lagartas

da espécie Helicoverpa armigera por metro linear na fase vegetativa da soja e 2 lagartas por metro na fase reprodutiva . Esse é o número que deve ser aguardado para o início das aplicações de inseticidas, conforme orientações repassadas pela Emater.

20 lagartas

comuns por metro linear na fase vegetativa da soja. Até esse limite, a população é considerada normal. A partir daí, recomenda-se o controle químico. Os produtores são orientados a fazer essa contagem ao menos uma vez por semana em pontos diversos das lavouras.

 

Agronegócio Gazeta do Povo (AgroGP)
Autor: José Rocher