Nesta terça-feira (17), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciaram o pregão com ligeiras perdas, próximos da estabilidade. Por volta das 7h48 (horário de Brasília), os principais contratos do cereal exibiam pequenas quedas entre 0,25 e 0,75 pontos. Apenas a posição maio/17 registrava leve alta, de 0,25 pontos, cotado a US$ 4,12 por bushel. O vencimento julho/16 era negociado a US$ 3,93 por bushel e o setembro/16 a US$ 3,95 por bushel.

Os investidores permanecem atentos às informações sobre o comportamento climático nos Estados Unidos e a evolução do plantio da safra 2016/17. No final da tarde de ontem, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou que até o último domingo (15), cerca de 75% da área estimada para essa safra. Na semana anterior, em torno de 64% da área já havia sido semeada.

O percentual ficou dentro das expectativas dos investidores, mas abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, de 82%. A média dos últimos cinco anos é de 70%. “O relatório dessa segunda-feira deve ser vista como neutra para o milho com significativos atrasos de plantio observados em Indiana e Ohio”, disse o analista da DTN, Todd Hultman.

“Os estados que estão atrás estão localizados no extremo leste e oeste do Corn Belt. Essas são as áreas que ainda estão muito molhadas”, informou a Kluis Commodities em nota. Desde a semana anterior, já havia rumores de atrasos no plantio em algumas localidades, o que poderia levar a uma transferência de área para a cultura da soja.

Veja como fechou o mercado nesta segunda-feira:

Milho: Mercado consolida movimento positivo e fecha 2ª feira com valorização de quase 2% na BM&F

O pregão desta segunda-feira (16) foi positivo aos preços do milho negociados na BM&F Bovespa. As principais posições da commodity fecharam o dia com valorizações entre 0,45% e 1,89%. O maio/16 permanece acima dos R$ 51,00 a saca, cotado a R$ 51,64 a saca, enquanto isso, o setembro/16, referência para a safrinha brasileira, subiu e tocou o patamar de R$ 43,61 a saca. No Porto de Paranaguá, a saca do milho para entrega em setembro/16 permaneceu estável nesse início de semana em R$ 35,00 a saca.

Apesar da ligeira queda do dólar, registrada hoje, as cotações ainda encontram sustentação no quadro entre oferta e demanda no mercado brasileiro. Ainda nesse início de semana, o Cepea reportou que o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, base Campinas (SP), subiu 3,3% na última sexta-feira e encerrou o dia a R$ 51,70 a saca, um recorde nominal. “A menor oferta de milho no mercado brasileiro e incertezas quanto ao desenvolvimento da segunda safra vêm impulsionando as cotações do cereal, especialmente no Sul do país”, informou o centro em nota.

Após as exportações recordes observadas na temporada anterior, a oferta permanece restrita no mercado doméstico, o que tem servido de suporte aos valores, destaca a analista de mercado da FCStone, Ana Luiza Lodi. Além disso, há muitas especulações sobre o real tamanho da segunda safra no país.

Isso porque, depois de um abril muito seco e das altas temperaturas, registradas nas principais regiões produtoras, não se sabe ao certo quanto os produtores brasileiros deverão colher. A única certeza é que a safrinha será menor esse ano, alguns analistas e consultorias já estimam uma quebra de mais de 10 milhões de toneladas. Em seu último boletim de acompanhamento de safras, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), revisou para baixo a safrinha de 57,13 milhões para 52,90 milhões de toneladas.

Na região de Guaíra (PR), por exemplo, os prejuízos são estimados ao redor de 30% devido à estiagem. Ainda assim, o presidente do sindicato rural do município, Silvanir Rosset, ressalta que as preocupações com o clima persistem. “As geadas ainda podem afetar a produtividade das plantações. Sem contar os ventos fortes, recentemente muitas plantações foram acamadas na região e muitas espigas caíram das plantas, gerando mais perdas aos produtores”, pondera a liderança.

A escassez de milho é tão grave que o Brasil já importou cerca de 243 mil toneladas do cereal no acumulado de janeiro a abril desse ano, conforme levantamento divulgado pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior). E, ao longo do ano, o número pode ser maior, já que, recentemente, o governo brasileiro autorizou a isenção da taxa de importação para 1 milhão de toneladas do grão de fora do Mercosul.

Dólar

Enquanto isso, a moeda norte-americana fechou iniciou a semana em queda. O câmbio encerrou o pregão desta segunda-feira com queda de 0,55%, cotado a R$ 3,5042 na venda. Conforme dados reportados pela agência Reuters, os investidores ainda aguardam novidades sobre a equipe econômica, principalmente o nome de quem irá comandar o Banco Central no novo governo do presidente Michel Temer.

Bolsa de Chicago

Nesta segunda-feira (16), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram o dia com ligeiras altas. Em uma sessão volátil, os preços consolidaram o movimento positivo e fecharam o pregão com ganhos entre 1,75 e 3,25 pontos. A posição julho/16 era cotada a R$ 3,94 por bushel. Já o dezembro/16 recuperou o patamar de US$ 4,00 por bushel.

Os investidores continuam atentos à evolução dos trabalhos nos campos norte-americanos, com a safra 2016/17. “As chuvas generalizadas no Meio-Oeste dos EUA reduziram o ritmo de plantio e mais precipitações estão previstas para essa segunda e terça-feira. A maior parte dos atrasos poderá ser observada na metade sul do cinturão produtor de Indiana e Ohio. Em Iowa e Illinois, os comerciantes de grãos destacaram que a semeadura andou no final de semana e o cultivo poderia estar completo em 90% da área projetada ou mais”, disse Bob Burgdorfer, analista e editor da Farm Futures.

No total, a perspectiva dos participantes do mercado é que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reporte a semeadura completa em 75%, em seu boletim de acompanhamento de safras, que será divulgado no final da tarde de hoje. Há muitos rumores no mercado, desde a semana anterior, sobre possíveis atrasos nos trabalhos nos campos, o que poderia resultar em transferência de área para a soja. Mais cedo, Bryce Knorr, também do portal Farm Futures, afirmou que “o clima e as perspectivas em relação a possíveis atrasos nos trabalhos nos campos continuam a serem temas dominantes”.

Ainda hoje, o órgão reportou a venda de 128 mil toneladas do cereal para a Coreia do Sul. O volume negociado deverá ser entregue na temporada 2015/16. Enquanto isso, os embarques do milho somaram 1.110,6 milhão de toneladas na semana encerrada no dia 12 de maio. O número ficou dentro das expectativas dos participantes do mercado entre 1 milhão a 1,2 milhão de toneladas do cereal. As informações foram divulgadas pelo departamento norte-americano.

Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas