As cotações do milho e do algodão em pluma estão em forte alta neste início de ano no mercado brasileiro, conforme levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. A valorização do milho no interior de São Paulo supera os 18% na parcial de janeiro e a do algodão em pluma, posto em SP capital, 13%.

Os atuais patamares de preços do milho têm surpreendido até mesmo os vendedores mais otimistas, após um ano de oferta recorde em que o excedente doméstico se aproximou de 41 milhões de toneladas. Segundo pesquisadores do Cepea, com o dólar valorizado, as exportações seguem elevadas desde outubro/15, o que tem consolidado o Brasil como segundo maior exportador de milho. Com esse ritmo de vendas, os estoques nacionais ao final desta temporada, em 31 de janeiro, devem ser menores que os registrados há um ano. Esse cenário combinado a expectativas de menor oferta em 2015/16 explicam a disparada dos preços internos. Em termos reais, os atuais preços são os maiores desde meados de 2013 ou do primeiro trimestre de 2014, a depender da região.

O Indicador ESALQ/BM&FBovespa do milho, referente à região de Campinas, sobe 17,6% na parcial de janeiro, fechando a R$ 43,31/saca de 60 kg nessa quarta-feira, 20. Se considerados os negócios também em Campinas, mas com prazos de pagamento descontados pela taxa NPR, a média à vista foi para R$ 43,01/sc, com reação de 18,6% em janeiro.

Nos primeiros 10 dias úteis de janeiro foram exportadas 2,87 milhões de toneladas de milho, segundo dados da Secex. Em dezembro/15, saíram de portos brasileiros 6,27 milhões de toneladas de milho, o maior volume mensal de toda a história. Desde fevereiro do ano passado, são 28,59 milhões de toneladas, faltando apenas 1,1 milhão de t para que sejam atingidas as 29,7 milhões de t previstas pela Conab para a temporada 2014/15 (de fev/15 a jan/16).

Quanto ao algodão em pluma, a valorização tem sido puxada pela maior presença compradora num contexto de oferta limitada. Cerca de 60% da safra 2014/15 já foi vendida, sendo mais da metade para o exterior, segundo registros da BBM (Bolsa Brasileira de Mercadorias), e a nova safra brasileira deve entrar no mercado, de forma mais intensa, somente a partir de julho/agosto. Paralelamente, o dólar elevado vinha posicionando a paridade de exportação acima dos preços internos, justificando o comportamento firme dos vendedores.

Na última semana, porém, conforme cálculos do Cepea, a paridade de exportação, na condição FAS (Free Alongside Ship), porto de Paranaguá, teve média de R$ 2,3838/lp, praticamente se igualando à média do Indicador CEPEA/ESALQ para pagamento em 8 dias (R$ 2,3796). Como a tendência de valorização interna tem se mantido, os preços domésticos dos últimos dias superam em cerca de 5% a paridade de exportação da semana passada, tendo como efeito clara redução das vendas para o exterior.

Desde o início do mês, o Indicador CEPEA/ESALQ com pagamento 8 dias, referente à pluma 41-4, posta em São Paulo, sobe 13,5%, fechando a R$ 2,5422/lp nessa quarta-feira, 20. Em termos reais, os atuais preços são os maiores desde fevereiro do ano passado.