Acidez, doçura, aroma, amargor, corpo: atributos que, se balanceados, tornam um café diferenciado e especial. E foram esses e diversos outros itens avaliados nesta terça-feira (22) durante todo o dia no julgamento final do concurso Café Qualidade Paraná, realizado no Centro de Pesquisa em Qualidade do Café, na sede do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Londrina. A banca julgadora contou com degustadores de renome no mercado de cafés especiais, que mais uma vez desmistificaram aquela ideia de que o Estado não produz cafés de qualidade. O concurso é promovido pela Câmara Setorial de Café, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), por meio do Iapar e do Emater. Nesta última etapa permaneceu o que há de melhor na produção de 22 cafeicultores do Estado, sendo seis da categoria café natural, 11 produtores de cereja descascado e cinco microlotes (da pequena agricultura familiar), das regiões de Apucarana, Cornélio Procópio, Ivaiporã, Maringá e Santo Antônio da Platina. Os finalistas superaram mais de 200 concorrentes em seletivas regionais nos polos produtores do Estado. Cada região podia inscrever até 10 lotes por categoria, mas permaneceram no concurso apenas os cafés mais bem pontuados, ou seja, aqueles acima dos 75 pontos na escala da Associação Americana de Cafés Especiais. Os vencedores serão anunciados no dia 31, em solenidade no Centro de Eventos de Cornélio Procópio. De acordo com o coordenador da Comissão Julgadora da Etapa Estadual do Café Qualidade 2013, Nelson Menoli Sobrinho, para atingir esse nível de excelência certamente houve um primor do trabalho dos cafeicultores na colheita e pós-colheita. “O momento do preparo e secagem são cruciais para que ele possa obter qualidade. O produtor pode até acertar na colheita de fruto maduro, mas se cuidar dos procedimentos de preparo e secagem pode comprometer toda a sua produção”. Menoli comenta ainda que os cafeicultores paranaenses estão numa região do mundo em que precisam se esmerar ao máximo para conquistar um café especial, já que há transtornos comuns, principalmente a chuva na colheita. “O cafeicultor daqui precisa se especializar mais para conviver com essas condições climáticas adversas, mas tem conseguido fazer isso de forma muito profissional, desmistificando aquela ideia de que somos produtores de café de má qualidade”, salienta o coordenador. Vale lembrar que no Paraná grande parte da produção é oriunda de pequenos produtores. E, por isso, o investimento em conhecimento é primordial para atingir o patamar dos cafés para exportação. “A aplicação não precisa ser tão grande em máquinas ou equipamentos. O cafeicultor deve investir no conhecimento para evitar, por exemplo, a fermentação por fungos ou bactérias que podem deteriorar a qualidade do produto”. Pensando comercialmente, Menoli salienta que ainda é difícil conciliar qualidade com quantidade quando o assunto é café especial. “Como acontece com o ouro, o café especial é caro porque é raro. Não é simples fazer cafés com pontuação acima de 80, com equilíbrio em seus atributos, por isso toda essa valorização do produto. O interessante é que o Paraná, por ser um estado grande, tem climas e altitudes diversas, o que faz com que nunca tenhamos um café especial igual ao outro”.

Premiação

Os cinco produtores mais bem colocados de cada categoria têm garantida a venda dos lotes ao preço pago pela BM&FBovespa acrescido de 25%, em aquisição feita pelo Governo do Estado com o apoio dos patrocinadores do certame. Ainda como premiação, os três produtores mais bem classificados de cada categoria dividirão o valor de R$ 30 mil. Como estímulo, o lote vencedor de cada modalidade será encaminhado para representar o Paraná no Concurso Nacional de Qualidade do Café, promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

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